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Saturday, January 29, 2011

CERATITE ULCERATIVA EM CÃES

DEFINIÇÃO 

Inflamação da córnea associada com a perda do epitélio corneano (erosão da córnea) e, possivelmente, quantias variáveis de estroma subjacente da córnea (úlcera de córnea). Devido à distinção clínica entre úlcera e erosão menos grave da córnea ser por vezes difícil, este capítulo irá se referir a ambos como ceratite ulcerativa.

Fisiopatologia 
Qualquer condição que rompe o epitélio corneano ou estroma pode resultar em ceratite ulcerativa. Em cães e gatos, as causas são traumáticas e não traumáticas. As úlceras podem ser classificadas como superficiais, profundas, simples ou complicadas. Uma úlcera superficial envolve apenas o epitélio e possivelmente o estroma superficial. Úlceras profundas envolvem uma maior espessura do estroma e podem estender-se a membrana de Descemet, e causar a ruptura do globo ocular. Úlceras complicadas ocorrem com persistência da causa incitante, infecções microbianas, ou a produção de enzimas degradativas.
Após a ocorrência de uma lesão epitelial, células epiteliais adjacentes se soltam e migram sobre o defeito no prazo de poucas horas. A mitose ocorre em poucos dias, a espessura do epitélio normal é restaurado, e o processo de cicatrização é completo em 5-7 dias.
A cicatrização da lesão estromal é mais lenta, mais complexa, e pode ocorrer de forma avascular ou vascular. Se a lesão estromal é relativamente rasa, a migração epitelial e mitose podem ser suficientes para preencher o defeito. O epitélio pode, ocasionalmente, cobrir algumas úlceras estromais, mesmo quando a regeneração do epitélio e estroma é insuficiente para restaurar a espessura normal da córnea. A maioria das úlceras estromais cicatriza pela infiltração fibrovascular que pode requerer várias semanas. É comum que as úlceras estromais sejam complicadas por infecção microbiana ou destruição enzimática iniciada por células do estroma ou epiteliais, células inflamatórias do hospedeiro ou microrganismos.
Doença da membrana basal epitelial atrasa a cicatrização de algumas úlceras superficiais, pois interfere com a ligação do epitélio em regeneração ao estroma subjacente. Isso resulta em um curso clínico prolongado e é referido como uma úlcera refratária (defeito epitelial recorrente crônico - DERC, antiga ulcera do Boxer).
Destruição enzimática excessiva pode resultar em uma aparência gelatinosa ou tenaz do estroma corneano. Isto é chamado de úlcera colagenolítica ou tipo “melting”.
• Não comprovada base genética, mas predileções por raça sugerem que pode haver influências genéticas.
• Úlceras podem ocorrer secundárias a outras doenças corneanas que tem predisposições de raça e, presumivelmente, uma base genética. Exemplos incluem a distrofia do epitélio corneano no Shetland Sheepdog e distrofia do endotélio corneano em Boston terrier.

Predileções por raça
• raças de cães braquicefálicos
• úlceras refratárias ocorrem mais freqüentemente em Boxer, mas pode ocorrer em qualquer raça.
• gatos Persa, Himalaia, siameses e birmaneses estão predispostos a seqüestro corneano felino.

Idade média e Faixa etária
• A idade de início é muito variável e é determinada pela causa da úlcera.
• úlceras refratárias tendem a afetar os cães de meia-idade e mais velhos.

SINAIS

Achados históricos
• A condição pode ser aguda ou crônica.
• Reclamações de clientes variam de lacrimejamento, blefarospasmo, fotofobia, aparência de um filme sobre os olhos (por exemplo, edema corneano e prolapso da terceira pálpebra).
• História de trauma existe em alguns animais.
• Gatos com úlceras herpéticas podem ter um histórico de doenças respiratórias.

Achados ao exame físico
• Achados oculares não específicos podem incluir secreção ocular de serosa a mucopurulenta, blefarospasmo, fotofobia, prolapso da terceira pálpebra e hiperemia conjuntival (ou seja, olho vermelho).
• Uma inspeção mais detalhada da córnea pode revelar uma ou mais falhas circunscritas, linear, ou geográfica (semelhante a mapa) na córnea. Úlceras estromais profundas ou descemetoceles podem aparecer como aspecto de cratera.
• Dependendo do tamanho, causa e duração da úlcera, os achados patológicos adicionais podem incluir a neovascularização, a pigmentação, edema, cicatrizes, deposição de lipídeos ou minerais, infiltrado de células inflamatórias e atividade colagenolítica (melting) do estroma corneano. Isso pode causar áreas focais ou difusas de opacidade da córnea.
• Úlceras refratarias têm bordas epiteliais soltas, e podem demonstrar impregnação por fluoresceína discreta em áreas com epitélio aparentemente intacto.
• Diferentemente de um olho normal, uma úlcera corneana geralmente estimula a produção de lágrima resultando em lacrimejamento excessivo. A ausência de lacrimejamento evidente sugere olho seco ou ceratoconjuntivite seca (CCS).
• "Uveíte anterior reflexa", que pode ser leve ou grave ocorre secundariamente à ulceração corneana. Os sinais de uveíte concorrente podem incluir variável constrição da pupila (miose) ou pressão intraocular reduzida quando comparada com o olho normal, e possivelmente exsudatos visíveis na câmara anterior (por exemplo, fibrina, hipópio e hifema). Exsudatos visível na câmara anterior são mais comuns em animais com úlceras causadas por lesão corneana penetrante ou infecção bacteriana concomitante. Neste último caso, o exsudato é normalmente estéril e é uma resposta às toxinas produzidas pelo agente microbiano.


CAUSAS
• Trauma – contuso, penetrante ou perfurantes.
• Doença de anexos - distiquíase, cílios ectópicos, entrópio, ectrópio, triquíase, tumores palpebrais.
• Anormalidade do filme lacrimal - deficiência lacrimal quantitativa tais como CCS, ou deficiência lacrimal qualitativa causada por deficiência de células caliciformes da conjuntiva (ou mucina), ou outra anormalidade lacrimal não identificada.
• Infecção - infecção corneana primária é mais comum em gatos e é causada por herpesvirus.
• Lagoftalmia (ou incapacidade de fechar as pálpebras completamente) - isto resulta em ceratite por exposição ou ressecamento. Pode ser relacionadas a raça em cães braquicefálicos e, em menor extensão, em algumas raças de gatos, ou pode ser causada por exoftalmia, buftalmia ou neuroparalítica de paralisia nervo facial idiopática (especialmente em Cocker Spaniel).
• Doença inata da córnea - DERC, distrofia endotelial ou outras doenças endoteliais.
• Diversos - corpo estranho, queimaduras químicas, ceratite neurotrófica (perda da sensação trigeminal), doença imune-mediada.

FATORES DE RISCO
• Trauma
• CCS por qualquer causa
• infecção por herpesvírus felino


DIAGNÓSTICO


• Retenção de fluoresceína é diagnóstico de ceratite ulcerativa.
• Outras causas de um olho vermelho e doloroso, notavelmente conjuntivite, CCS, uveíte e glaucoma.
• Ceratite ulcerativa pode desenvolver-se concomitantemente com outras causas de olho vermelho (por exemplo, secundária à CCS).



OUTROS PROCEDIMENTOS DE DIAGNÓSTICO
• Três padrões de coloração de fluoresceína são reconhecidos:
1) úlcera estromal ou superficial tem coloração verde homogêneo. As úlceras podem ser circular, irregular, linear, ou qualquer combinação destes. Interpretação de profundidade é subjetiva.
2) defeito semelhante a uma cratera que retêm o corante na periferia e é claro no centro é uma descemetocele. Membrana de Descemet pode ser vista com abaulamento anterior.
3) defeito semelhante a uma cratera que se cora transitoriamente, mas o corante é lavado facilmente indica uma úlcera do estroma que reepitelizou. Tal defeito deve ser distinguido de um descemetocele.
• Aplicação de coloração rosa bengala no olho pode facilitar o diagnóstico de úlcera superficial linear (úlceras dendrítica), causada por herpesvirus. Úlceras dendríticas são consideradas patognomônicos para a infecção pelo herpesvírus em gatos.
• Cultura microbiológica e teste de sensibilidade para bactérias aeróbias e fungos são indicados em animais com úlceras de córnea profunda ou com progressão rápida.
• Um teste de Schirmer identifica ulceração associada à CCS.
• A avaliação citológica de células obtidas por raspagem da córnea seguida por coloração de Gram, Giemsa ou Wright pode revelar microrganismos. Estes resultados podem direcionar a terapia antimicrobiana inicial.

TRATAMENTO

INTERNAÇÃO X AMBULATÓRIO
Os animais com úlceras profundas ou rapidamente progressiva podem requerer internação para a cirurgia e/ou tratamentos médicos freqüente.

ATIVIDADE
• Restringir se o animal tiver uma úlcera estromal profunda ou descemetocele, devido a uma possível ruptura da úlcera profunda.
• Auto-traumatismo para os olhos deve ser evitada. Um colar elisabetano deve ser aplicado se este é um problema.


EDUCAÇÃO DO CLIENTE
• Se mais de uma solução oftálmica é aplicado no olho para o tratamento, o cliente deve deixar pelo menos quinze minutos entre a aplicação de diferentes drogas para evitar a incompatibilidade química ou fatores de diluição que reduzam a eficácia do tratamento.
• O cliente deve ser instruído a entrar em contato com o veterinário se o animal aparentar mais doloroso ou se a úlcera parecer estar se deteriorando.

CONSIDERAÇÕES CIRÚRGICAS
• Úlceras superficiais geralmente não requerem cirurgia se a causa incitante foi eliminada (por exemplo, o entrópio reparado, o corpo estranho removido). Úlceras refratárias são uma exceção.
• Úlceras refratárias (DERC) devem ser debridadas com um swab seco, estéril para remover as bordas epiteliais soltas após aplicação da anestesia tópica. Procedimentos adicionais que podem ser benéficos incluem a criação de flap escarificado de 3ª pálpebra, ceratotomia, ceratotomia superficial, e cirurgia de recobrimento conjuntival. As técnicas de ceratotomia puntata ou em grade são realizadas com facilidade e são recomendadas como o primeiro procedimento cirúrgico após o debridamento corneano.
• Uma úlcera que se estende até a metade ou mais da espessura da córnea e, particularmente para a membrana de Descemet, podem se beneficiar da cirurgia. A descemetocele deve ser considerada uma emergência cirúrgica. Uma variedade de procedimentos cirúrgicos é descrita e dentre elas podemos destacar o uso de auto-enxertos conjuntivais, implantes de membranas amnióticas, transplantes de córnea, etc.


MEDICAMENTOS

  Antibióticos
Antibióticos aplicados topicamente são indicados no tratamento de todas as úlceras de córnea. A freqüência de aplicação de antibióticos é determinada pela gravidade da úlcera e da preparação utilizada. Pomadas têm um maior tempo de contato e deve ser aplicada QID ou BID, enquanto que as soluções requerem a aplicação mais freqüente (por exemplo, 4, 6 ou 8 vezes por dia), particularmente no tratamento inicial de úlceras complicadas. Antibióticos comumente utilizados incluem cloranfenicol, oxitetraciclina / polimixina B (Terramicina ®), eritromicina, antibiótico triplo, e tobramicina (Tobrex ®). A combinação de neomicina, polimixina B e bacitracina (ie, antibiótico triplo) é uma excelente primeira escolha para o tratamento por causa de seu amplo espectro de atividade antimicrobiana. Gentamicina e tobramicina são boas escolhas para úlceras rapidamente progressiva, na qual Pseudomonas sp. ou outro organismo gram-negativo é suspeito. Deve-se levar em consideração o efeito epiteliotóxico da gentamicina. Para Pseudomonas sp. aminoglicosídeo-resistentes, uma solução de fluoroquinolonas aplicada topicamente (Ciloxan ®) é indicado.

Atropina
Atropina 1% pomada ou solução é utilizado para tratar o "uveíte anterior reflexa", que ocorre com úlceras de córnea e na cicloplegia. Deve ser usado com freqüência suficiente para causar midríase (geralmente SID ou BID), seguido de redução gradual. Deve-se lembrar da utilização da atropina pomada em gatos pra evitar salivação excessiva causada por atropina colírio, a qual é drenada pelo ducto nasolacrimal para boca causando sialorréia excessiva devido ao seu gosto amargo

Antivirais
Agentes antivirais são indicados para o tratamento de úlceras herpéticas em gatos. Soluções de trifluridina (Viroptic ®) ou idoxuridina (Herplex ®) deve ser aplicada a cada 4h ou a cada 6h até a resposta clínica ser observada e, então, reduzir a freqüência de 1-2 semanas após os sinais clínicos terem desaparecido.


Agentes Anticolagenolítico
Acetilcisteína (Mucomyst ®) tem sido usada mais comumente para o tratamento de úlceras de melting, mas sua eficácia é controversa.
Outras opções a serem consideradas são: soro autólogo ou heterólogo, EDTA a 0,35%.
            Dar preferência sempre ao soro, pois este além de ser de fácil obtenção (sangue centrifugado) possui atividade inibidora da matriz metaloproteinase (MME) e elastase dos neutrófilos (NE).

Analgésicos / Agentes Antiinflamatórios
As drogas antiinflamatórias não esteróides (AINES) pode ser indicada tanto por suas propriedades anti-inflamatórias e analgésicas. Aspirina pode ser usada em cães (10-15 mg / kg a cada 12h via oral) e em gatos criteriosamente (10 mg / kg a cada 48h via oral).
Quando indicado (como nos casos de uveítes associadas) pode-se utilizar a corticoterapia via oral.  

Lentes de Contato
As lentes de contato terapêuticas agem como uma bandagem para reduzir a irritação de atrito das pálpebras e sensação de dor. Elas também podem possuir liberação contínua de drogas. Outras vantagens incluem a aplicação fácil apenas com anestesia tópica e visualização contínua do olho. Elas são de maior benefício no tratamento de úlceras refratárias e podem ser usadas como uma alternativa ou em conjunto com a cirurgia. As desvantagens incluem o custo relativamente elevado e o fato de que a lente de contato podem ser deslocadas pela terceira pálpebra. As lentes de contato com diferentes diâmetros (13,5-17,0 mm) e curvatura da base (8,5-9,0 mm) estão disponíveis para uso em diferentes raças. As lentes de contato com uma curvatura de raio menor (ou seja, mais curvo) podem proporcionar um melhor ajuste para cães de raças pequenas.


CONTRA-INDICAÇÕES
• Corticosteróides aplicados topicamente são contra-indicados em um paciente com uma úlcera ou erosão córnea pois estes estimulam as proteinases do filme lacrimal, o que aumenta a lesão.
• AINES aplicados topicamente são contra-indicados no tratamento de úlceras herpéticas.
• atropina aplicada topicamente é contra-indicada em animais com glaucoma e luxação do cristalino e é uma contra-indicação relativa em pacientes com CCS.

PRECAUÇÕES
• A atropina deve ser utilizada com cautela em tratamento de úlceras associadas com CCS, pois a atropina compromete ainda mais a produção de lágrimas. Testes de Schirmer devem ser realizados se houver suspeita de CCS como a causa da úlcera, ou testes periódicos lacrimais podem ser indicado se atropina for usada por um período de tempo prolongado.
• AINES aplicados topicamente, como flurbiprofen (Ocufen ®) e diclofenaco (Voltaren ®) pode retardar a cicatrização da córnea, mas não potencializam a destruição enzimática da córnea na forma que os corticosteróides.
• Ciclosporina ou Tacrolimus aplicado topicamente (usado principalmente para tratar CCS) pode ser usado com segurança na presença de uma úlcera de córnea.


Monitoramento de Pacientes
• O olho ulcerado deve ser corado periodicamente com uma solução de fluoresceína para avaliar a cicatrização. Úlceras superficiais devem apresentar uma melhora em 3-5 dias.
• Uma úlcera superficial que persiste por 7 dias ou mais, sugere que a causa incitante não foi eliminada ou o paciente tem DECC. Neste último caso, o olho deve ser tratado como uma úlcera refratária.

POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES
Ulceração corneana progressiva pode resultar na ruptura do globo, endoftalmite, glaucoma secundário, phthisis bulbi e cegueira. Um olho cego e doloroso pode requerer enucleação.


EVOLUÇÃO ESPERADA E PROGNÓSTICO
• Uma úlcera superficial simples deve cicatrizar geralmente em 5-7 dias ou cerca de 1 mm / dia.
• Uma úlcera refratária pode persistir por semanas ou mesmo meses apesar da terapia médica. Muitas vezes cura dentro de duas semanas após ceratotomia em grade ou puntata.
• Se o cliente optar terapia médica como o único tratamento para uma úlcera corneana profunda, várias semanas podem ser necessárias para o infiltrado fibrovascular alcançar o defeito, e mesmo assim a úlcera nem sempre sofre granulação de forma satisfatória. A deterioração contínua da úlcera e ruptura do globo ocular podem ocorrer.
• O reparo cirúrgico de uma úlcera profunda utilizando-se técnicas de recobrimento corneano freqüentemente resulta em mais conforto para o paciente dentro de poucos dias após a cirurgia. 



Ulceração superficial em um Rottweiler. Fonte Dr. JAK.

DERC (antiga ulcera indolente) em um cão Boxer.





















Descemetocele num Pug. Foto do microscopio cirurgico (16x) Dr. JAK

















Referências

Nasisse MP. Canine ulcerative keratitis.
Comp Cont Educ Pract Vet 1985;7:686701.    
Kirschner SE. Persistent corneal ulcers: What to do when ulcers won't heal. Vet Clin North Am Small Anim Pract 1990;20:627642.     
Collins BK. Diseases of the globe: cornea and sclera. In: Bojrab MJ, ed. Disease mechanisms in small animal surgery. 2nd ed. Philadelphia: Lea & Febiger, 1993;130138.  
Hakanson NE, Merideth RE. Conjunctival pedicle grafting in the treatment of corneal ulcers in the dog and cat. J Am Anim Hosp Assoc 1987;23:641648.

Autor B. Keith Collins
Editor Consultor Paul E. Miller


Texto traduzido e adaptado por Daniele Sant’Anna Lessa juntamente com orientador de estágio Dr. João Alfredo Kleiner.

Thursday, January 20, 2011

EXENTERAÇÃO COM AUTO-ENXERTO DE TECIDO ADIPOSO

Trabalho apresentado durante o I Congresso Brasileiro de Especialidades em Medicina Veterinaria (CONBREMEV) 2002.
KLEINER J.A., MOREIRA R.M.S., REINHARDT C.
 
A exenteração é definida como a retirada cirúrgica do globo ocular e o conteúdo orbital adjacente a este (músculos oculares, terceira pálpebra, tecido adiposo periocular e pálpebras). Tal procedimento está indicado nos casos onde temos neoplasias oculares infiltrativas importantes e ainda em expressivas infecções oculares e orbitais supurativas e crônicas com perda de tecido periocular e “phthisis bulbi” (degeneração com atrofia do globo ocular).
Devemos distinguir a exenteração da evisceração e enucleação ocular. Na evisceração apenas o conteúdo intraocular (úvea, lente, retina, vítreo) é removido, como nos casos em que o implante de próteses oculares é desejado, já na enucleação apenas o globo ocular, membrana nictitante e pálpebras são retirados e está indicada nos casos de neoplasia intraoculares não infiltrativas, trauma ocular perfurante severo e endoftalmite ou panoftalmite incontrolável.
Um dos principais inconvenientes na exenteração é o grande espaço morto originado após o procedimento, principalmente em gatos os quais possuem uma órbita ocular bem profunda. Os objetivos principais do auto-enxerto (enxerto autólogo ou autóctone) de tecido adiposo são: obter um resultado plástico pós-operatório mais aceitável e diminuir a formação de cavidades importantes que favorecem o aparecimento de infecções, edemas pronunciados e fistulações.
Procedimento cirúrgico:
Após o paciente ser anestesiado e preparado para cirurgia asséptica (depilação e desinfecção local) inicia-se o procedimento primeiramente através de uma celiotomia média para obtenção de tecido adiposo originário principalmente do ligamento falciforme. O fragmento obtido é mergulhado em solução salina balanceada com a adição de 1ml de cefalotina sódica (Keflintm). Depois de realizada a abdominorrafia de rotina inicia-se o procedimento de exenteração do globo ocular afetado com posterior lavagem orbital copiosa utilizando-se solução morna de cloreto de sódio a 0,9%. O fragmento de tecido adiposo é então colocado para preenchimento da cavidade orbital e realiza-se a dermorrafia utilizando-se fio inabsorvível sintético 4-0 (Foto 1). O paciente é então mantido com antibiótico de amplo espectro via oral durante 8 dias, colírio de ciprofloxacina (Biamotiltm) no olho contralateral e antiinflamatório não esteroidal por 3 dias. A retirada de pontos é feita após 10 dias e os animais estóicos devem ser mantidos com colar elisabetano.

Foto 1: Aspecto trans-operatório de auto-enxerto
de tecido adiposo em um gato.

Foto 2: Aspecto pós-operatório imediato.

Foto 3: 4 meses após intervenção cirúrgica

Conclusão:
A exenteração do globo ocular com auto-enxerto de tecido adiposo tem grande aplicabilidade na clínica médica de pequenos animais. O tecido adiposo autólogo não induz a reações inflamatórias importantes e é um excelente material para preenchimento de cavidades, levando-se em consideração sua rápida organização e baixa taxa de reabsorção.

Referências Bibliográficas:
1) GELATT, KIRK N.: Veterinary Ophthalmology. 3o ed. Lippincott Willians&Wilkins, 1998.
2) Magrane Basic Science Course in Veterinary and Comparative Ophthalmology. University of Wisconsin – Madison. Course Notes , 1998.
3) RAMSEY, DAVID T. et al. : Veterinary Ophthalmology (lecture notes). 5o ed. Michigan State University, 2000.

Cirurgia de Catarata por meio da Faco seguida de Implante de LIO.

O cristalino ou lente é uma estrutura avascular, biconvexa ou arredondada (dependendo da espécie) e transparente (Foto 1). Está localizado posteriormente à íris e anteriormente ao humor vítreo e é sustentado pelos ligamentos zonulares.
Além de avascular, o cristalino não possui inervação e é formado por 1/3 de proteínas, 2/3 de água e demais componentes (lipídeos, aminoácidos, eletrólitos e carboidratos) contando com 1%. É esta grande quantidade de proteínas que dá ao cristalino um elevado índice de refração da luz o qual, juntamente com a capacidade de acomodação, constitui-se na sua principal função.

O termo catarata pode é usado para definir uma opacificação completa ou parcial da lente ou cristalino do globo ocular, impedindo a passagem da luz e causando perda parcial ou completa da visão.
O mecanismo básico da formação da catarata é dado pelo desarranjo protéico da lente e dentre as causas principais podemos citar:
  • Hereditariedade
  • Diabetes Melito (hiperglicemia)
  • Inflamações intra-oculares (uveítes)
  • Traumas oculares
  • Degeneração avançada da retina
  • Substâncias tóxicas
  • Radiações
A catarata aparece mais comumente em cães do que em gatos e entre as raças predispostas podemos citar:
    • Poodle Toy
    • Cocker Spaniel
    • Schnauzer
    • Pequinês
    • Dachshund
Dentre os sinais relatados pelo proprietário do animal, a deficiência visual é a mais mencionada. Se a catarata afeta menos de 30% da lente ou se afeta apenas um dos olhos, geralmente passam despercebidos.
A maioria dos proprietários apenas consegue notar um déficit visual de seu animal de estimação quando a catarata afeta mais de 60% da lente ou se esta for bilateral.
Muitas vezes a catarata pode ser confundida com a esclerose senil do cristalino, que se trata de uma alteração normal da lente aonde esta torna-se azulada devido à compressão das células lenticulares velhas em direção ao núcleo.
A diferenciação entre catarata e esclerose pode ser feita através de um bom exame oftálmico de fundo de olho. Na catarata existe uma perda de detalhe parcial ou total da retina devido ao bloqueio da luz pelas opacidades e na esclerose não.
O único tratamento existente para a catarata é sua remoção cirúrgica, sendo que o procedimento de eleição para tal é a facoemulsificação (fragmentação dao cristalino com uso de ultra-som).
Com o advento da facoemulsificação a cirurgia de catarata tornou-se mais rápida, os resultados obtidos muito melhores (97% de sucesso), o desconforto pós-operatório é mínimo e existe a possibilidade de um implante de lente intra-ocular após o procedimento, recuperando por completo a visão dos pacientes.
Os cães que colocam uma lente intra-ocular dobrável após a remoção da catarata possuem uma excelente acuidade visual e levam uma vida normal, podendo brincar, correr e nadar sem problemas nenhum.
A lente intra-ocular, assim como no ser humano, fica muito bem posicionada e estável no espaço intra-ocular e não existe a mínima possibilidade de ela se deslocar ou "cair" com a movimentação da cabeça do paciente no seu dia a dia.
Deve-se lembrar que o quanto antes realizada a cirurgia de catarata utilizando-se a facoemulsificação maiores são as chances de um resultado muito bom e maiores as chances da realização do implante de uma lente artificial.

Os animais que sofrem cirurgia de catarata através da facoemulsificação e não colocam uma lente intra-ocular possuem uma boa visão de longe (hipermétropes), mas conseguem viver muito bem (foto 9), desviando de objetos e reconhecendo os donos.
Os pacientes que colocam lente intra-ocular (foto 8) recuperam totalmente a acuidade visual. Eles tem uma excelente visão de perto e de longe, melhor noção de movimento (ex. quando brincam de bolinha), e enxergam objetos pequenos, como insetos voando.
Autor:Dr. João Alfredo Kleiner MV, MSc
Especialização em Oftalmologia Veterinária pelo ACVO na Universidade de Wisconsin – Madison, EUA em 1998.
Acesse a nossa sessão de VÍDEOS em www.vetweb.com.br e assista a alguns procedimentos cirúrgicos.

Glossario em Oftalmologia Veterinaria

Abiotrofia:
Degeneração prematura de um tecido depois de atingida a sua maturidade. Este termo era aplicado à degeneração retineana progressiva tipo I.
Acomodação:
Adaptação dos olhos para ver em diferentes distâncias, normalmente acompanha mudanças na forma da lente ou cristalino devido à ação do músculo ciliar, o que resulta em uma imagem focada e nítida na retina.
Acoria:
Ausência de pupila.
Acromatopsia:
Doença ocular caracterizada pela impossibilidade de distinguir cores. Quando parcial (apenas algumas cores) é denominada de discromatopsia.
Adipsia:
Falta de sede.
Afacia:
Ausência do cristalino.
Agenesia:
Falha no desenvolvimento de um órgão.
Amaurose:
Cegueira de origem central.
Ambliopia:
Visão reduzida em um olho aparentemente normal.
Ametropia:
Erro da refração ocular que dificulta a nitidez da imagem na retina.
Ancoria:
Ausência de pupila.
Aniridia:
Ausência de íris.
Aniseiconia:
Condição óptica aonde as imagens retineanas são de tamanhos diferentes.
Anisocoria:
Tamanhos pupilares desiguais.
Anisoforia:
Desvio do ângulo de visão. Diferença entre os olhos de mais de 5 D causando uma imagem em escada.
Anisometropia:
Condição aonde o erro refrativo é diferente entre os olhos.
Anoftalmia:
Ausência do globo ocular.
Anosmia:
Diminuição ou falta absoluta de olfato.
Anquilobléfaro:
Margens palpebrais fusionadas por alguma patologia (Ex. Oftalmia neonatorum nos felinos) ou fisiológica (filhotes recém nascidos).
Asférica (lente):
É uma lente projetada com uma forma não esférica que refraciona o transcurso da luz baixando a abertura de lente de forma a refletir mais luz ou diminuir a distorção em barril em lentes grande angulares arredondadas. Sua fabricação é mais difícil e mais cara, mas oferece inúmeras vantagens sobre a lente esférica convencional. Visite http://efisica.if.usp.br/otica/universitario/geometrica/aberracao_seidel/
Asteroid hyalosis:
Pequenas partículas de cálcio e fosfolipídeos no humor vítreo. Movem-se com o movimento do globo ocular e voltam à posição original quando parado. Normalmente é unilateral e pode estar associado com uveíte, tumores epiteliais de corpo ciliar, atrofia de retina e menos freqüente com melanomas posteriores.
Astigmatismo:
Condição óptica aonde a refração da luz é irregular.
Atalamia:
Arrasamento da câmara anterior.
Bastonetes:
Células retineanas responsáveis pela visão com pouca luz e detecção de movimento.
Blefaro:
Relativo à córnea. Ex: blefarite, blefaroplastia.
Blefaroptose:
Ptose (queda) da pálpebra superior.
Buftalmia:
Aumento do volume do globo ocular devido ao glaucoma (hidroftalmia).
Calázio:
Inflamação das glândulas de meibomio (tarsais).
Ceratite:
Inflamação do tecido corneano.
Ceratocone:
Protrusão (deformidade) cônica da córnea.
Ciclite:
Inflamação do corpo ciliar.
Cicloplegia:
Paralisia dos músculos ciliares oculares.
Coloboma:
Orifício ou fissura no tecido ocular. Falta de uma parte de tecido.
Cones:
Células retineanas responsáveis pela visão diurna (fotópica), de cores e dos detalhes (acuidade) da imagem.
Corectopia:
Deslocamento pupilar de sua posição (eixo) normal.
Corpora nigra:
Formações ovais irregulares na porção dorsal e às vezes na borda ventral da íris de herbívoros.
Criptoftalmo:
Estado patológico aonde as pálpebras possuem um crescimento anormal obstruindo a visão. Condição hereditária e normalmente bilateral.
Dácrio:
Relativo à lágrima. Ex: dacriocistite.
Dacrioadenite:
Inflamação da glândula lacrimal.
Decussação:
Local anatômico aonde ocorre o cruzamento de fibras nervosas de um lado do sistema nervoso para outro (ex. quiasma óptico).
Dermóide:
Tecido semelhante à derme localizado em local anormal (corístoma).
Descemetocele:
Ulceração corneana profunda com progressão da membrana de descemet.
Diplopia:
Percepção de um objeto como duas imagens (visão dupla).
Discoria:
Forma pupilar anormal.
Disecdise:
Também chamada de retenção de muda (ex. retenção do spectacle ocular em cobras).
Distiquíase:
Fileira anormal de cílios.
Distrofia:
Anormalidade de desenvolvimento, nutricional, metabólica e não inflamatória.
Ectasia:
Dilatação ou distensão.
Ectrópio:
Rotação externa das pálpebras.
Emetropia:
Condição normal de acuidade visual sem nenhum vício de refração.
Endoftalmite:
Inflamação do conteúdo intra-ocular.
Enoftalmia:
Afundamento do globo ocular para dentro da órbita.
Entrópio:
Rotação interna das pálpebras.
Enucleação:
Remoção cirúrgica do globo ocular.
Epífora:
Drenagem deficiente da lágrima causando seu extravasamento pelo canto medial ocular.
Episclerite:
Inflamação localizada do tecido superficial da esclera.
Escotoma:
É uma região do campo visual que apresenta perda total ou parcial da acuidade visual e rodeada de uma outra região que apresenta visão normal. Todos mamíferos possuem uma região de escotoma que só pode ser detectada através de testes e isto não influencia na visão normal. Patologicamente o escotoma pode ser causado por doenças desmielinizantes de retina, substâncias tóxicas, deficiências nutricionais e isquemias vasculares. Normalmente é unilateral mas pode ser bilateral quando originado por afecções de quiasma óptico.
Escotópica:
Visão noturna.
Estafiloma:
Ectasia da parede do globo ocular (esclera) na linha do trato uveal formando uma saliência.
Esteriopse:
Visão sólida e 3D dos objetos.
Estrelas de Winslow:
Imagem frontal da terminação dos pequenos vasos sanguíneos que penetram a zona tapetal conectando vasos coroideanos profundos aos coriocapilares. Aspecto de mosaico com pontos escuros, mais evidentes na retina dos herbívoros (ex. eqüinos).
Euribléfaro:
Aumento horizontal da fissura palpebral.
Evisceração:
Remoção cirúrgica do conteúdo intra-ocular.
Exenteração:
Remoção cirúrgica do globo ocular e seus anexos.
Exoftalmia:
Protrusão anormal dos olhos.
Exotropia:
Estrabismo (desvio) divergente.
Flare:
Reflexo (Tyndall) da refração da luz na câmara anterior causado pelo excesso de proteína (ex. uveítes).
Fosfênio:
Ilusão visual traduzida pela percepção de pontos luminosos, manchas escuras de formatos diversos e centelhas luminosas. Semelhante à fotopsia, mas tem origem no córtex occipital. A ação de esfregar os olhos fechados, espirros fortes, batidas na cabeça e queda da pressão arterial causam, por exemplo, os chamados fosfênios de pressão.
Fotofobia:
Desconforto ocular induzido pela luz.
Fotopsia:
Sensação luminosa como faíscas ou relâmpagos e pode ser proveniente de doenças retineanas ou de lentes intra-oculares multifocais.
Goniodisgenesia:
Desenvolvimento anormal do ângulo de drenagem iridocorneano.
Hemeralopia:
Cegueira durante o dia.
Hemianopsia:
Cegueira na metade direita ou esquerda dos campos visuais de ambos os olhos.
Heterocromia:
Coloração diferente entre estruturas (Ex: Íris).
Hialite:
Inflamação do vítreo e ou membrana hialóidea.
Hifema:
Acúmulo de sangue na câmara anterior.
Hipermetropia:
Perturbação da convergência ocular, na qual as imagens de um objeto situado no infinito se formam para além da retina, mesmo com as estruturas do olho em repouso. Visão de longe.
Hipertropia:
Desvio de um dos olhos para cima.
Hipópio:
Acúmulo de células inflamatórias (pus) na câmara anterior.
Hipotonia:
Diminuição da pressão ocular.
Hipotropia:
Desvio de um dos olhos para baixo.
Hordéolo:
Infecção e inflamação de uma ou mais glândulas sebáceas palpebrais (Ex: Meibomio, Zeis ou Moll).
Humor Aquoso:
Líquido transparente que preenche a câmara anterior ocular.
Iridociclite:
Inflamação da íris e do corpo ciliar.
Iridodiálise:
Separação traumática entre a íris e a esclera na região da fenda ciliar (ângulo de drenagem).
Iridodonese:
Movimentação da íris. Indica de alguma forma uma instabilidade lenticular devido zonulólise.
Iridosquise:
Degeneração da úvea anterior.
Íris bombé:
Aderência da íris ao cristalino em toda sua extensão, causando um abaulamento desta.
Iris Chafing:
Desgaste (abrasão) iridiana devido ao implante de LIO fixada no sulco ciliar. Pode originar aumentos transitórios da pressão, microhifemas, dispersão pigmentar e glaucoma pigmentar.
Lagoftalmia:
Fechamento incompleto das pálpebras, causando muitas vezes úlcera por exposição.
Lentidonese:
Instabilidade lenticular. Sinônimo de facodonese.
Leucoma:
Área cicatricial na córnea com aspecto esbranquiçado.
Limbo:
Divisão anatômica entre a córnea e a esclera.
Mácula:
Opacidade moderada da córnea com bordas distintas.
Madarose:
Perda dos cílios ou das sobrancelhas.
Microfaquia:
Tamanho lenticular pequeno.
Microftalmia:
Globo ocular pequeno apresentando outras anormalidades como catarata, por exemplo.
Midríase:
Dilatação da pupila.
Miopia:
Perturbação da convergência ocular, na qual as imagens de um objeto situado no infinito se formam antes da retina. Visão de perto.
Miose:
Contração da pupila.
Mittendorf’s dot:
Opacidade da cápsula posterior do cristalino marcando o local de aderência da artéria hialóidea.
Nanoftalmia:
Globo ocular pequeno sem outras anomalias.
Nébula:
Opacidade corneana discreta com bordas indistintas.
Nictalopia:
Cegueira noturna.
Nistagmo:
Movimento oscilatório dos olhos.
Oftalmoplegia:
Paralisia dos músculos oculares.
OD:
Oculus dexter. Olho direito.
OS:
Oculus sinister. Olho esquerdo.
OU:
Oculus uterque. Ambos os olhos.
Oftalmia simpática:
Processo patológico de um globo ocular afetando o adelfo (contra-lateral).
Pannus:
Neoformação de um tecido vascular envolvendo qualquer tecido conectivo avascular.
Panoftalmite:
Inflamação de todos os tecidos oculares.
Papiledema:
Edema do disco óptico.
Phthisis bulbi:
Degeneração e atrofia do globo ocular.
Policoria:
Presença de mais de uma pupila na íris.
Poliose:
Esbranquiçamento dos pelos.
Presbiopia:
Condição refrativa aonde temos uma diminuição da acomodação do cristalino. Relacionado com a idade e perda a da elasticidade lenticular.
Protrusão:
Avanço anormal de um órgão por aumento de volume, por relaxamento, ruptura da parte continente ou outras circunstâncias patológicas.
Pseudofácico:
Olhos com uma lente intra-ocular (LIO) artificial implantada.
Ptose:
Queda ou imobilidade. Ex: ptose palpebral.
Purkinje, imagens de:
Imagens refletidas na superfície da córnea, cápsula anterior e posterior do cristalino.
Quemose:
Edema conjuntival.
Retinosquise:
Processo degenerativo da retina, causando um descolamento parcial do epitélio pigmentar formando duas camadas e originando um cisto entre elas.
Rubeose:
Vasos sanguíneos sobre a íris.
Seclusão:
Aderência extensa da íris.
Simbléfaro:
Aderência da pálpebra e conjuntiva bulbar.
Sinéquia:
Aderência da íris com tecidos adjacentes (lente, córnea).
Sinerese vítrea:
Degeneração vítrea com separação dos seus componentes sólidos dos líquidos, resultando em uma liquefação. Pode estar relacionada com a idade ou processos patológicos (glaucoma, uveítes) que causam desnaturação do ácido hialurônico e do colágeno, predispondo a descolamentos de retina.
Synchysis Scintillans:
É o acúmulo de partículas de colesterol no humor vítreo.  Movem-se livremente e estão relacionadas a inflamações ou hemorragias oculares.
Tarso:
Relativo à pálpebra.
Telangiectasia:
Dilatação permanente dos vasos sanguíneos.
Tiflose:
Cegueira.
Tilose:
Calosidades palpebrais.
Triquíase:
Cílios voltados para a córnea.
Vitiligo:
Despigmentação da pele.
Xeroftalmia:
Secura da superfície ocular causada por deficiência lacrimal.
Xeromicteria:
Falta de umidade das vias nasais.
Zonulólise:
Ruptura dos ligamentos zonulares que sustentam o cristalino.